9.8.15

RUPTURA

primeiramente, não pretendo ser o dono da língua portuguesa, e é por isso que tirei as letras maiúsculas da maioria das palavras deste lugar, quebrando o padrão. Quero somente expressar durante muito tempo tudo aquilo que penso sobre o que sou, quem sou e o que faço com esse o que e quem, que tanto me agridiu nestas últimas semanas com doses altas de felicidade e tristeza, me pondo contra parede em todos os momentos com apenas dois questionamentos.
1. quem de fato você é?
2. o que você é?
Sinceramente depois que passei a realmente trabalhar algo que constatei fundamental a minha vida - teatro - percebi que todas as escolhas que fiz até hoje fazem um sentido lógico. Foi como uma estória contada e adaptada para um filme de 3 horas que geralmente as pessoas não compreendem o começo nem o meio e só vai entender tudo no final. Teatro me faz respirar, teatro me faz amar, teatro me faz ter contato com a pessoa que geralmente eu não posso ser por tais motivos:
1. você tem que andar assim;
2. você tem que comer assim;
3. você tem que amar assim;
4. você tem que falar assim;
5. você tem que xingar assim;
6. trabalhar assim;
7. transar assim;
8. assim, assim;
9. ASSIM!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
10. você tem que gostar assim;
11. você NÃO PODE ROUBAR, não assim;
12. você NÃO PODE COBIÇAR, não assim;
13. você NÃO PODE, NÃO PODE;
14. NÃAAAAAAAAAAAO PODEEEEE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! É DO CAPETA, É CULPA DO OUTRO OUTRO OUTRO DO OOOOOOOOOOOOOUTRO!!!!!
15. não é seu, não é seu, eu sou superior, maior, maior, MELHOR do que VOCÊ!!!!!!!!
é como se a filosofia da sociedade de que somos livre fosse uma utopia (que de fato é) de que somos todos livre, livres... LIVRES! livres onde mesmo? dentro do box do banheiro onde você lava o externo e solta pela voz aquilo que te faz bem, ou pelos gestos do corpo, ou pela água que você acidentalmente bebeu do chuveiro... livres? "livre de todo mal amém"...
A liberdade é um lugar muito diferente do que se diz por ai e eu não sinto isso...
Estou hoje tentando entrar em contato com aquele Leonardo que ama rock, livros, cinema e SONHA em ser alguém reconhecido por aquilo que ama o que faz, todavia, preciso ter cuidado com essa mudança drástica para não acabar caindo em questões chorosas, mal resolvidas, dolorosas e intrínsecas demais. Realismo no teatro despertará meus monstros e eu terei de doma-los.

é por isso que resolvi escrever... para não surtar, e se surtar, que seja com palavras...
agora estou me sentindo melhor do que quando comecei.